terça-feira, 5 de junho de 2018

A Virtude do Silêncio


"A experiência me ensinou que o silêncio é parte da disciplina de um devoto da verdade. (...) Quando paramos para pensar sobre isso, não se pode evitar sentir que quase metade do sofrimento do mundo desapareceria se nós, na condição de mortais agoniados, conhecêssemos a virtude do silêncio. Antes de a civilização moderna nos alcançar, dedicávamos pelo menos seis a oito horas por dia – das 24 disponíveis – ao silêncio e à introspecção. A civilização moderna nos ensinou a converter a noite em dia e o silêncio de ouro em barulho. Que ótimo seria se, em nossa vida conturbada, cada um de nós pudesse se retirar para dentro de si mesmo por pelo menos algumas horas por dia e preparar a mente para escutar a voz do grandioso silêncio. O rádio divino está sempre ligado, basta que estejamos dispostos a escutá-lo. Contudo, é impossível ouvir sem silêncio. Santa Teresinha se utilizou de uma imagem interessante para resumir o doce resultado do silêncio:

‘Você imediatamente sentirá seus sentidos se agrupando; eles se parecem com  abelhas que retornam à colmeia e param de trabalhar, sem que você tenha de se preocupar ou se esforçar. Deus então recompensa a violência que sua alma tem feito a si mesma e dá a ela um grande domínio sobre os sentidos, de modo que, quando ela quiser se reestruturar, um único sinal será suficiente para que eles obedeçam e se reúnam nessa ação. Então, no primeiro chamado, todos voltam cada vez mais rápido. Por fim, depois de muitos e muitos exercícios desse tipo, Deus os dispõe em um estado de repouso absoluto e de perfeita contemplação.’"

Mahatma Gandhi - O Caminho da Paz
Ed. Gente, São Paulo - p. 72/73


segunda-feira, 28 de maio de 2018

CABALÁ - O que é o ZOHAR ?

O Sefer ha-Zohar – o Livro do Esplendor – É, sem sombra de dúvida, a obra principal e mais sagrada da Cabalá, a dimensão mística do judaísmo. Fonte inesgotável de sabedoria e conhecimento, seus ensinamentos e revelações se equiparam, em importância, aos da Torá e do Talmud.


De autoria do grande Rabi Shimon bar Yochai, permanece inacessível até os dias de hoje para a grande maioria dos que tentam transpor o mistério que encerra. Quem sabe se por esta razão, ou apesar desta, nenhuma outra obra mística jamais despertou tanta curiosidade e exerceu tão grande influência?

O Zohar é a coluna vertebral da Cabalá, também chamada de Chochmat ha-Emet – a Sabedoria da Verdade. Na língua hebraica, Cabalá significa “recebimento” ou “o que foi recebido”. Por ser parte integral da Torá, tem origem e natureza Divina. Apesar de seus ensinamentos terem sido transmitidos a Adão e aos patriarcas do povo judeu, foi Moisés quem os recebeu diretamente de D’us durante a Revelação no Monte Sinai e os instituiu formalmente como parte da história do povo de Israel. Desde então, esta sabedoria mística vem sendo repassada de geração em geração para uns poucos escolhidos entre os líderes espirituais do povo judeu.

Chamados de nistarim (literalmente “os ocultos”), os primeiros cabalistas preservaram zelosamente esses ensinamentos, transmitindo-os oralmente às gerações seguintes. Somente no século II da era comum, surgiria no seio de Israel um homem que possuía os dons espirituais e intelectuais que lhe permitiram dar forma a essa sabedoria milenar. Seu nome era Rabi Shimon bar Yochai, uma das personalidades mais reverenciadas na história judaica. A ele coube o zechut, o honroso mérito de revelar a Luz Divina em todo a sua majestade e esplendor.

Grande líder e um dos maiores sábios talmúdicos, Rabi Shimon viveu em uma época muito conturbada. Durante sua geração, Israel penava sob o jugo romano, tendo que se sujeitar à proibição do estudo da Torá, esta apenas uma entre as inúmeras imposições de Roma. A gravidade da situação levou os mestres da Lei a adotarem medidas excepcionais. Preocupados que a perseguição e a dispersão dos judeus pudessem resultar na perda parcial dos ensinamentos da Torá Oral, os sábios deram seu consentimento para que os fundamentos de seu conteúdo fossem transcritos. Portanto, o Talmud, seus comentários, o Midrash e os ensinamentos cabalísticos começaram a ser compilados e escritos. E foi Rabi Shimon bar Yochai quem estruturou a tradição mística através do Zohar.

No entanto, havia um grande problema na transcrição dos segredos da Cabalá. Os sábios temiam que pessoas sem preparo espiritual tivessem acesso aos segredos da Criação e do Universo. Para evitar que isso acontecesse, O Livro do Esplendor foi escrito de forma praticamente indecifrável para os não iniciados. E a primeira condição para se fazer parte desse grupo pequeno e seleto era possuir um vasto e profundo conhecimento sobre a Torá e sobre a tradição cabalística.


Livro fechado

O Sefer ha’Zohar é um livro fechado e as chaves para sua compreensão permanecem em mãos de um número reduzido de sábios. Esta obra pode ser comparada a um sistema codificado, de extrema complexidade, que esconde tesouros inestimáveis. Rabi Shimon era um daqueles seres pertencentes a um plano espiritual tão elevado que, entre os que estudam a sua obra, são poucos os que conseguem assimilar parte de seus ensinamentos. Não obstante, mesmo com apenas um pouco desse conhecimento, constroem-se montanhas de sabedoria.

Como vimos, para os não iniciados, o Zohar é misterioso e praticamente impenetrável. As dificuldades de compreensão estão presentes em quase todos os níveis da obra. Além da insondável profundidade de seus preceitos, seu estilo literário peculiar e sua dialética dificultam a compreensão. Seus textos, escritos em hebraico ou em aramaico antigo, estão “codificados”, impossibilitando, assim, que pessoas leigas entendam seu significado. Imagens simbólicas são usadas no lugar de uma terminologia racional e tópicos independentes são tratados em conjunto, colocando lado a lado assuntos aparentemente sem relação entre si.

Muitas das passagens do Zohar são compostas por combinações de alusões fragmentadas, que somente podem ser conectadas por associações secretas. Mas, na realidade, as conexões existem e são bastante claras para aqueles que entendem seu simbolismo e significado. Um sábio familiarizado com os segredos místicos da Torá entende perfeitamente seu conteúdo, seu estilo e sua estrutura aparentemente ilógica. Se para os não iniciados muitos de seus ensinamentos carecem de significado, estes mesmos preceitos são, para os que podem decifrá-los, a chave para desvendar os maiores e mais profundos segredos da existência e do universo.

Apesar de terem sido traduzidos para o hebraico moderno e para outros idiomas, os verdadeiros ensinamentos do Sefer ha-Zohar continuam sendo praticamente incompreensíveis. Mesmo para a maioria dos eruditos na Torá, o Livro do Esplendor continua sendo um enigma. O Talmud e outras obras da lei judaica são acessíveis e compreensíveis; não apenas é permitido o seu estudo, como também é incentivado e é uma obrigação colocar-se em prática os seus ensinamentos. Já o Zohar continua além do alcance intelectual e espiritual da maioria dos judeus – pelo menos por enquanto. Grandes cabalistas sempre alertaram que o privilégio de estudar e entender esta obra era reservado para muito poucos.

O cuidado e o resguardo em relação ao Zohar sempre foram impostos com o propósito de preservar não só a obra, mas também a alma daqueles que se aventurassem a estudá-la. Temia-se que seus ensinamentos e revelações pudessem ser mal interpretados ou usados de forma inadequada. Infelizmente, esses temores se confirmaram no decorrer da história. Houve vários casos de indivíduos e até mesmo de grupos que, após mergulharem nas águas do misticismo judaico sem o preparo adequado, acabaram por se perder. Ainda mais grave: seus ensinamentos místicos foram utilizados por falsos messias e distorcidos por místicos não-judeus e por adeptos da ciência do ocultismo. Os resultados foram catastróficos. Por isso, cabe alertar o leitor que o estudo do Zohar e da Cabalá somente deve ser conduzido na companhia de um professor que, além de instruído, tenha atingido um equilíbrio espiritual e mental; que entenda e siga a Lei Judaica em todos os seus minuciosos pormenores.


Seu conteúdo

O Zohar é fonte de inspiração e sabedoria para os iniciados que ousam adentrar seus segredos. Seus principais focos são a teosofia – a interação das sefirot e seus mistérios, a conduta humana e o destino dos judeus neste mundo bem como no mundo das almas. São raras as ocasiões em que discute de forma explícita a meditação ou a experiência mística.

Ao penetrar na superfície literal da Torá, O Livro do Esplendor revela as profundezas místicas de suas histórias, leis e segredos. Transforma a narrativa bíblica em uma “biografia de D’us”. Toda a Torá é lida como permutações de Nomes Divinos. Cada uma de suas palavras ou de suas mitzvot simbolizam algum aspecto das sefirot – que representam as maneiras pelas quais D’us interage com Sua Criação. O Zohar revela que o real significado da Torá reside em sua parte oculta – chamada de nistar – e em seus segredos místicos.

Mas esta obra grandiosa não trata apenas de assuntos esotéricos e místicos. Não há uma única preocupação sobre a existência humana que permaneça intocada em suas páginas. Apesar da aura de mistério que a cerca, muitos de seus ensinamentos têm servido de guia para várias gerações de judeus. De um lado, o Zohar se aprofunda nos maravilhosos mistérios da alma e do Criador; do outro, aborda assuntos como o poder do mal e a necromancia, proibida pelo judaísmo. Nele encontram-se visões da Redenção Messiânica, assim como soluções para as complexas relações entre seres humanos e os problemas de seu cotidiano.

simeon bar yochai
Alicerçado principalmente na Torá, o Zohar é uma obra imensa, dividida em três trabalhos principais que são, por sua vez, subdivididos em outros segmentos. Trata-se principalmente de uma exegese – uma dissertação de homilias – e suas idéias emergem através de comentários e discursos. Nele estão as interpretações místicas e os comentários das sidrot – as leituras semanais da Torá. A obra não se restringe aos Cinco Livros de Moisés; também aborda outros livros da Torá, inclusive o Cântico dos Cânticos, o Livro de Ruth e as Lamentações. Não cabe enfatizar em demasia que a Cabalá é a parte secreta da Torá e, portanto, não poderia ser estudada ou seguida à parte da Torá revelada. Acreditar ou estudar a Cabalá sem o respaldo da Torá Escrita e Oral é, no mínimo, incongruente, pois não há um único trabalho cabalístico que não contenha citações dos 24 livros da Torá Escrita, do Talmud e do Midrash.

Assim como o Talmud, o Zohar cobre todas as manifestações do espírito judaico. Porém, enquanto o primeiro é essencialmente uma obra sobre a Lei Judaica, com pitadas de misticismo, o segundo é principalmente um trabalho místico que aborda e elabora sobre algumas leis do Torá. O Zohar descreve a realidade esotérica subjacente à experiência cotidiana. Nele, temas e histórias, tópicos legais e assuntos litúrgicos são vistos e expostos através de uma interpretação mística.


Um breve histórico

Como vimos acima, os ensinamentos da Cabalá começaram a assumir uma forma estruturada através do Livro do Esplendor, de Rabi Shimon bar Yochai. Segundo o Talmud, após ter fugido das autoridades romanas que queriam matá-lo, Rabi Shimon e seu filho, Rabi Elazar, esconderam-se em uma caverna nas montanhas da Galiléia. Pai e filho lá permaneceram durante treze anos, dedicando-se completamente ao estudo da Torá. Certamente Rabi Shimon já havia sido exposto aos ensinamentos místicos judaicos. Mas, enquanto estavam na caverna, ele e seu filho foram visitados pelas almas de Moisés e do profeta Eliahu, que lhes revelaram muitos outros preceitos cabalísticos. É possível que outros sábios, antes e depois dele, também tenham tido os dons intelectuais e espirituais para transmitir os ensinamentos da Cabalá. Mas foi Rabi Shimon, devido à sua luz, à pureza de sua alma e aos seus méritos, o escolhido por D’us para fazê-lo.

Como atesta a própria obra, coube a Rabi Abba, um dos alunos de Rabi Shimon, a tarefa de registrar por escrito os ensinamentos de seu mestre. Parte do Zohar não foi transcrita na época; foi preservada e transmitida de forma oral pelos discípulos de Rabi Shimon, conhecidos como “a Chevraiá”.

Mas apesar de transcrito, ainda não havia chegado a hora de ser divulgado o seu conteúdo. Segundo a tradição, seus manuscritos originais ficaram escondidos durante mil anos e foram descobertos apenas no século XIII. Durante as décadas de 1270 e 1280, estes manuscritos ficaram restritos a círculos cabalistas. Finalmente, chegaram às mãos de um místico judeu espanhol, Rabi Moshe de Leon (1238-1305), que os editou e publicou na década de 1290.

Por que teria essa obra magna permanecido escondida por tanto tempo? O próprio Livro do Esplendor revela a razão ao afirmar que sua sabedoria e luz seriam reveladas como preparação para a Redenção Final, que deveria ocorrer 1.200 anos após a destruição do Templo Sagrado. E é exatamente o que aconteceu ! O Grande Templo de Jerusalém foi destruído no ano 70 da e.C., o que significa que, segundo as previsões do Zohar, seu conteúdo deveria ser revelado no ano de 1270.

O estudo da Cabalá floresceu na Espanha e na Provença, mas até a expulsão dos judeus da Península Ibérica, o Zohar só era conhecido no meio de restritos círculos de sábios e cabalistas. Após a expulsão, ele emerge desses círculos e passa a exercer uma grande influência sobre os judeus sefaraditas. Perseguidos e expulsos, os judeus da Espanha encontraram em seus ensinamentos sobre a Redenção Messiânica uma grande fonte de conforto e esperança e tanto a obra como seu autor passaram a ser reverenciados por eles. Até hoje, o Zohar está presente no dia-a-dia dos judeus dessa origem, pois seus ensinamentos moldaram grande parte de suas tradições e seus costumes religiosos.

Muitos dos cabalistas forçados a sair da Península Ibérica se estabeleceram na cidade sagrada de Safed, em Israel, que se tornou um centro de estudos místicos. Em Safed, o Sefer ha’Zohar serviu de base para os ensinamentos de dois dos maiores cabalistas – ambos sefaraditas – da era moderna: Rabi Moshe Cordovero (falecido em 1570), conhecido como o Ramak; e o grande Rabi Yitzhak Luria (1534-1572), o Arizal.

Foi em Safed que o Arizal transmitiu seus conhecimentos sobre o Livro do Esplendor e a Cabalá. Desenvolveu um novo sistema para a compreensão de seus mistérios, chamado de Método Luriânico. Seus ensinamentos são reconhecidos como a autoridade máxima da Cabalá, tendo sido estudados pelas gerações de cabalistas que o seguiram. A partir de seus ensinamentos, a Cabalá se tornou mais acessível e passou a ser disseminada por sábios e místicos judeus. O próprio Arizal afirmara que havia chegado a era na qual não só seria permitido revelar a sabedoria da Cabalá, mas tornar-se-ia uma obrigação fazê-lo.

Mas, foi na primeira metade do século XVIII, com o surgimento do chassidismo – como passou a ser chamado o movimento iniciado no leste da Europa pelo Rabi Baal Shem Tov – que a Cabalá que fora ensinada pelo Arizal passou a atingir um número ainda maior de judeus. A principal contribuição do chassidismo foi sua adaptação da doutrina da Cabalá a uma linguagem cotidiana e de fácil compreensão. Desta maneira, a profunda sabedoria de Rabi Shimon bar Yochai passou a influenciar as massas de judeus asquenazitas do leste Europeu. Com a expansão do chassidismo os ensinamentos do Zohar passaram a influenciar um número cada vez maior de judeus.


A santidade da obra

Chamada também de Ha’Zohar ha-Kadosh – O Sagrado Zohar – esta obra é envolta por uma aura de suprema santidade. Sua natureza misteriosa e seu conteúdo inacessível só acrescentaram reverência ao respeito que provoca entre judeus e não-judeus. Como vimos anteriormente, o Zohar é a suprema autoridade no campo do misticismo judaico, é a face mística da Revelação Divina manifestada por meio da Torá. Em termos de santidade, o Zohar foi posto em um nível ainda maior do que o Talmud, pois enquanto as leis deste último representam o corpo da Torá, os mistérios do Zohar representam sua alma. Mas, o Livro do Esplendor nunca se opõe à autoridade do Talmud nem às suas leis. Assim como alma e corpo são interdependentes; apenas quando unidos e em harmonia podem proporcionar ao homem uma vida significativa. Da mesma forma, o Zohar e o Talmud não podem cumprir sua missão, nem sobreviver de forma separada e sem uma mútua interligação.

O Zohar tem sido aceito por todo o povo judeu, independentemente de seu passado e tradições. Embora apenas um número limitado de judeus o tenha estudado de fato, continua a influenciar de maneiras que sequer podem ser imaginadas. Uma história do Baal Shem Tov revela o amor dos chassidim pelo Zohar e é também um exemplo de sua santidade e poder. Sabe-se que o Baal Shem Tov sempre levava uma cópia desta obra com ele, sendo capaz de realizar milagres e prever o futuro através da força espiritual do livro. Um dia lhe perguntaram como tinha sido capaz de, simplesmente olhando para o Zohar, descrever os passos de um homem que havia desaparecido. E ele respondeu com uma citação do Talmud: “A luz que D’us fez em seis dias de Criação permitiria ao homem enxergar de um lado do mundo para o outro, mas esta luz tem sido guardada para os justos no Mundo Vindouro”. E onde está esta luz guardada”, perguntou o Baal Shem Tov, respondendo ele próprio: “Na Torá. Então, quando eu abro o Zohar, eu posso ver o mundo todo”.


Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz, Marcella  Mastrandea e Vital Ben Waisermman.
Jerusalém, 27 de Nisan 5773 / Maringá, 7 de Abril 2013.

Shalom Lé Kulam – Paz a Todos! Shavua Tov! Boa Semana!

Conheça a Academia de Cabala: www.academiadecabala.com

Artista dos Quadrinhos Desvela O Astral em sua obra

Fernando Picheli ilustra saídas do corpo e saberes de budismo, teosofia, hinduísmo e espiritismo.


Por Ana Elizabeth Diniz

Um acidente de trabalho em 2002 levou a uma fratura do fêmur. Após a cirurgia, Fernando Picheli, 40, natural de Santo André, São Paulo, engenheiro projetista no ramo automobilístico, acordou sentindo muita dor na perna. Ela foi aumentando até ficar insuportável.

Apaguei e, quando acordei novamente, eu estava sentado na cama do hospital, não sentia mais dores. A sensação era tão real que fiquei com receio de me levantar e apoiar os pés no chão. Aos poucos tomei coragem, fui descendo bem devagar e tive uma grande surpresa quando me vi andando no quarto. Eu realmente estava fora do meu corpo. Saí do hospital caminhando, eu podia ver muitas crianças brincando, era outra dimensão, um local extrafísico com uma energia maravilhosa, as cores eram vivas, eu conseguia sentir o ambiente alegre e contagiante. Me sentia muito bem, pude então flutuar e voar, a sensação de liberdade que sentia foi indescritível”, relembra Fernando.

Essa foi a primeira de muitas saídas espontâneas do corpo, que aconteciam quase todos os dias. Foi quando o artista passou a estudar sobre viagem astral para conseguir entender o que estava ocorrendo com ele.

Inspiração. Após sofrer um acidente em 2002, Fernando Picheli passou a fazer viagens fora do corpo e resolveu criar quadrinhos com a realidade de outras dimensões

Naquela época, há 15 anos, eu desenhava algumas das coisas que via em minhas experiências, mas só a partir de novembro de 2014, com o auxílio da tecnologia, iniciei o projeto como as histórias em quadrinhos (HQs)”, comenta Fernando.

Nascia, assim, a HQ “Plano Astral”, que aborda um pouco desse mundo dimensional, misturando personagens fictícios em histórias de fantasia, recheadas de informações reais e extremamente úteis para aqueles que ousam romper a linha do materialismo.

As experiências frequentes de saída do corpo me permitiram comprovar muitas coisas que antes eu só conhecia por meio da literatura espiritualista e se tornaram um grande acervo de informações para que eu pudesse utilizar em meu trabalho. Acredito que as ilustrações possam revelar minhas experiências em outras dimensões, o contato com consciências extrafísicas e ajudar aqueles que estão passando por situações parecidas a entender melhor o fenômeno da projeção astral”, analisa o quadrinista.

A realidade paralela, com a qual o artista se tornou íntimo, é fonte de inspiração para as histórias em quadrinhos. “A riqueza de informações, formas e sensações que venho experimentando por meio da projeção astral são a base para criar as histórias. Além disso, muitas das informações que coloquei na graphic novel são experiências que vivenciei. É incrível como aquilo que acreditamos ser apenas fantasia, na verdade, está muito mais próximo da realidade do que poderíamos imaginar. As dimensões além do plano físico são muito suscetíveis à forca do pensamento e às emoções. A interação é muito mais dinâmica, e as possibilidades, muito mais amplas. É esse ambiente que tento traduzir por meio dos desenhos”, observa o artista.

O trabalho do artista aborda outras correntes. “Não tem como separar. Os conceitos de imortalidade e reencarnação e o contato com espíritos estão integrados a meu trabalho. Procuro adicionar conhecimentos de doutrinas e filosofias como o budismo, a teosofia, o hinduísmo, a umbanda e também o espiritismo, que foi minha base”, diz ele.


Vivenciar outros mundos altera o sentido da morte

Desde pequeno, o artista teve muito contato com a doutrina espírita e com a umbanda. “Elas foram a base do meu conhecimento, auxiliaram muito minha formação. Procuro sempre abrir a mente para outras linhas de pensamento, pois acredito que todas elas bebem da mesma fonte de conhecimento, que é divina. Durante esses anos de pesquisa, estudo e prática da projeção, pude verificar que a linguagem nos planos mais elevados vai além de crenças e doutrinas, é algo simples e direto, a verdade é reconhecida pelo alto padrão dos sentimentos envolvidos”, diz Fernando Picheli.

O processo criativo é totalmente intuitivo. “Algumas vezes busco uma imagem que seja inspiradora, uma emoção, ou mesmo uma mensagem que quero transmitir. Essa informação muitas vezes vem em blocos, as ideias e as imagens vão surgindo na mente. Vou armazenando na memória ou faço rascunhos no papel para depois fazer a arte final. É um mundo gigantesco que vai se formando dentro da mente. Ele pode ter movimento, cenário, som ambiente e até música. É como construir várias cenas de um filme dentro da mente, depois vou juntando as partes e transferindo para o papel”, comenta.

Quando surgem dúvidas, Fernando se vale das experiências de projeção para entender e investigar o assunto do lado de lá. “De acordo com o tema que estou trabalhando é comum eu entrar em determinadas faixas de sintonia, que influenciam minhas experiências. Por exemplo, eu precisava saber como as roupas são plasmadas no plano astral, para poder representá-las em minhas histórias. Verifiquei que durante a projeção, nós geralmente criamos inconscientemente nossas vestimentas. Podem ser as roupas com as quais nos deitamos, elas estão em harmonia com o ambiente em que estamos inseridos”, ensina.

Para ele, o estudo dos vários planos existentes além do plano físico não é algo para ser usado após a morte: “Ela simplesmente não existe. O simples fato de comprovar isso e entender melhor as consequências de suas ações poderá ajudar o indivíduo a vivenciar seu dia a dia com mais sabedoria”.

Para ler, visite seu site, onde a graphic novel está disponível gratuitamente. É só clicar abaixo:


A Arte Oculta de Hilma af Klint e sua Pintura para o Futuro

Entrevista com Johan af Klint e Luciana Pinheiro Ventre.

Porta-retrato feito por um fotógrafo desconhecido, c. 1900
Para alguns ela é uma bruxa, para outros ela é a pioneira da arte abstrata.

A artista sueca Hilma af Klint (1862–1944) foi uma mulher enigmática, viveu de maneira simples e ascética, não casou, não seguiu o padrão de sua época e pertenceu a uma das primeiras gerações de mulheres educadas na Academia Real de Artes de Estocolmo. Trabalhava intensa e rigorosamente. Deixou mais de 1.200 pinturas, 124 cadernos de notas e desenhos em mais de 26.000 páginas manuscritas e datilografadas. Ela foi completamente devota àquilo que considerava ser sua missão: revelar mensagens do mundo espiritual através da arte.

Sua arte diz-se oculta por diferentes aspectos. O mais importante deles é o fato de sua obra ser a representação física em tela do mundo espiritual, por assim dizer, daquilo que não é visível. Mas talvez o fato que desperta maior curiosidade é que a pintora não mostrava suas obras abstratas publicamente e, além disso, deixou testamentado que seus herdeiros não poderiam exibí-las antes de completar 20 anos de sua morte. Ela acreditava que seus contemporâneos não estavam prontos para entender o significado de suas imagens e todas as suas tentativas de mostrar suas obras a grupos seletos e específicos foram recusadas na época. Assim, sua obra abstrata permaneceu secreta por muitos anos.

Mas o fato é que Hilma af Klint pintou uma série de imagens abstratas em 1906, anos antes dos modernistas da abstração Wassily Kandinsky, Kazimir Malevich, Frantisek Kupka e Piet Mondrian produzirem suas obras radicais e não-figurativas na segunda década do século XXI.

Contudo, Hilma af Klint ainda não está nos livros de história da arte e muitos ainda desconhecem a importância de seu legado, mas este cenário está prestes a mudar. Se sua arte foi feita para o futuro, este futuro é agora. Mais de 70 anos após sua morte, muitos têm percebido essa urgência de despertar o mundo para o legado de Hilma af Klint. No Brasil, Luciana Pinheiro Ventre, artista plástica e aconselhadora biográfica, lançará o primeiro livro em português sobre a vida e a obra de Hilma af Klint.

Para desvendar esses tantos mistérios em torno de Hilma af Klint, entrevistei Johan af Klint — o sobrinho-neto da artista, herdeiro de sua obra e presidente da Fundação Hilma af Klint -, e a artista plástica e pesquisadora de Hilma af Klint, Luciana Pinheiro Ventre.

Hilma af Klint, 1907 © Stiftelsen Hilma af Klints Verk. Foto Albin Dahlström/Moderna Museet

Entrevista com Johan af Klint (Traduzida do sueco para o português por mim e Carlos Eduardo D. Borges)

- Quem foi Hilma af Klint?

Hilma af Klint (1862–1944), foi filha do comandante Victor af Klint e de Mathilda af Klint (nome de solteira Sontag). Hilma foi a quarta filha entre cinco. A primeira, Anna, morreu com um ano de idade em 1857. Meu avô Gustaf (1858–1927) foi contra-almirante. Ida (1860–1938) se casou com o engenheiro Knut Haverman. Hermina (1870–1880) morreu aos 10 anos. Sua morte foi muito difícil para Hilma, o que fez despertar seu interesse pela espiritualidade.

- Quem é Johan af Klint e qual a sua relação com a obra de Hilma af Klint?

Johan af Klint é o segundo filho do vice-almirante Erik af Klint — o mais velho dos três filhos de Gustav af Klint. Hilma af Klint foi, em outras palavras, a irmã do meu avô.

Eu sou economista e tenho um mestrado em Berkeley, Califórnia, na área financeira.

Eu trabalhei 15 anos em bancos internacionais no exterior e criei três empresas. Eu fui uma das cinco pessoas que, ao final dos anos 70 e início dos anos 80, introduziu os aspectos financeiros modernos dentro da indústria de exportação sueca (L M Ericsson) e de importação sueca (Svenska Petroleum). Eu fui um dos primeiros a estabelecer um fundo de Venture Capital na Suécia (Innovationsmäklarna). Atualmente, eu estou terminando o meu doutorado em budismo e sou presidente da Fundação Hilma af Klint.

Minha relação com a obra de Hilma af Klint é profunda e fundamental. Quando criança, eu encontrei Hilma várias vezes com meus pais. Eu tinha cinco anos quando ela morreu. Em 1966, quando os vinte anos estipulados por Hilma af Klint expirou e a sua Obra pôde ser despertada de seu longo período adormecida, eu e meu pai a desembalamos e fotografamos em diapositivo. Foi uma experiência memorável. Meu pai, que entendeu que havia uma relação entre a busca religiosa de Hilma e a minha pessoal, deixou toda a Obra em testamento para mim, em 1967, como medida de segurança supondo que poderia acontecer algo. A coleção foi oferecida ao Estado sueco, entre outros — todos recusaram. Em 1972, nós decidimos criar uma rede de segurança jurídica em torno da obra de Hilma, estabelecendo a Fundação Hilma af Klint. Meu irmão mais velho, Gustav, assumiu a presidência da Fundação, pois eu estava no Extremo Oriente a trabalho neste tempo. Eu fui presidente da Fundação entre 2011 e 2014 e consegui, durante este período, impedir uma aquisição hostil da maioria da Fundação por parte dos antropósofos de Järna. Com certa idade, deixei a presidência para a próxima geração. No entanto, em 2016, retornei à presidência da Fundação depois de outra tentativa golpista por parte dos antropósofos de usurpar a maior parte do Conselho da Fundação. Nós, da família af Klint, conseguimos juntos impedir que isso acontecesse. Agora sou eu a dirigir as atividades da Fundação.

Grupp VI, №15, Evolutionen 1908 © Stiftelsen Hilma af Klints Verk

- O que Hilma af Klint escreveu em seu testamento em relação à sua obra? Em sua opinião, por que seu pai, Erik, foi a pessoa que obteve a responsabilidade sobre a obra?

Todas as obras (1.200 pinturas e desenhos, os cadernos de notas com mais de 26.000 páginas, entre outros) foram deixadas em testamento para o meu pai, o vice-almirante Erik af Klint.

Hilma af Klint acreditava que a sua obra não seria apreciada ou entendida pelo público em meados da década de 1940. Ela sugeriu que as obras não fossem exibidas até 20 anos decorridos de sua morte, isto é, 1964. Como já nomeado, meu pai e eu a desembalamos e fotografamos em 1966.

- Como Hilma era vista por sua família e pela sociedade onde viveu?

Hilma nasceu em uma das maiores famílias de oficiais navais do mundo ocidental — descendentes diretos de seis gerações de pai-filho foram oficiais navais, ou seja, a partir de meados do século 18.

Hilma era uma mulher com idéias próprias, com um forte desejo, com uma boa educação, que seguiu seu próprio caminho. Não era fácil para ela neste ambiente dominado por homens, como era a Suécia e o Ocidente. Isso também se aplicava dentro da família, que era um pouco estrita ao estilo militar em sua visão. Naturalmente, Hilma foi aceita dentro da família, mas era um pouco como “o rato que o gato aceitou”. Além disso, a família ficou um pouco decepcionada com Hilma, que recebeu uma educação boa e sólida (5 anos na Academia Real de Artes da Suécia), mas que, de repente, começou a pintar de uma maneira que não se entendia e que ninguém podia ver!

Em geral, Hilma af Klint era uma pessoa rígida, mas amigável e feliz. Ela tinha apenas 1,57 de altura e estava constantemente vestida de preto.

© Stiftelsen Hilma af Klints Verk

- Conte um pouco sobre a relação da Hilma af Klint com o ocultismo e o seu contato com o mundo astral. Em sua opinião, de onde vem sua capacidade visionária e interesse por essas correntes?

A revolução industrial, as descobertas científicas, a imigração de pessoas de volta à cidades onde teriam laços sociais quebrados, etc., foi como “puxar o tapete” das pessoas que acabaram por perceber que havia um mundo/mundos além delas impossível de entender com os cinco sentidos. Portanto, as pessoas buscaram respostas em outros lugares. Uma explosão de novos movimentos espirituais surgiu durante a última parte do século XIX e início do século XX. “A busca” era um fenômeno socialmente comum durante esse período.

Hilma af Klint era uma pesquisadora, mas uma pesquisadora muito séria e consciente de seu propósito. Ela mostrou suas tendências já no início da adolescência. Mas foi apenas depois de sua irmã mais nova, Hermina, falecer em 1880 que Hilma começou a sua busca seriamente. Ela foi membro de grupos espíritas aos 17 anos. Mas, como não os considerava suficientemente sérios e estes não davam respostas às suas perguntas como esperava, esse contato durou apenas três anos (1879–1882). Hilma era membro da Ordem Rosa-Cruz (sem informação do período), cujas influências foram muito importantes para sua pintura abstrata. Em 1889, a Sociedade Teosófica foi estabelecida na Suécia. Hilma tornou-se membro no mesmo ano e permaneceu até no mínimo 1914 (talvez até 1916). Dizem que ela também foi uma das pessoas indicadas para a presidência. Em 1896–1897, ela foi membro da Associação Edelweiss. Hilma e outras quatro se afastaram da Associação Edelweiss e estabeleceram o Grupo de Sexta-feira (“As cinco”). O grupo esteve ativo entre 1896–1906 e representou, de fato, o tempo de preparação de Hilma para a pintura abstrata, com início na parte final de 1906. Durante esse período, Hilma teve contato com um “ser superior” do mundo astral. Finalmente, com 58 anos de idade, ela se tornou membro da Sociedade Antroposófica em 1920 — principalmente para obter acesso à Teoria das Cores de Goethe e ao arquivo dos antropósofos em Dornach (onde ela, sem sucesso, procurou a resposta para o significado de suas pinturas durante o período de 1906–1920).

Vale ressaltar que Hilma af Klint, através de todas essas influências, desenvolveu sua própria interpretação da mensagem religiosa. O fato dela ter pintado em quatro diferentes maneiras durante sua vida é bastante notável. Ela desenvolveu uma expressão própria de sua pintura — se esta era convencional, abstrata, analítica ou aquarela, é menos relevante. Hilma desenvolveu uma pintura própria dentro desses quatro gêneros. Isso é, de fato, incrível.

A pintura abstrata de Hilma é seu modo de reproduzir fisicamente o mundo astral em uma tela ou papel. Mais especificamente, os trabalhos abstratos de Hilma af Klint podem ser caracterizados como: Imagens sistemáticas de idéias filosóficas complexas e conceitos espirituais.

Hilma af Klint From A Work on Flowers, Mosses and Lichen, July 2 1919 © Stiftelsen Hilma af Klints Verk Photo Moderna Museet, Albin Dahlström

- Hilma af Klint escreveu uma série de cadernos de nota/diários. Quantos são e quantas páginas possuem? Sobre o que ela escreveu?

Hilma deixou mais de 124 cadernos de notas e desenhos em mais de 26.000 páginas manuscritas e datilografadas.

Os livros incluem desenhos automáticos e cadernos de nota do grupo “As cinco”, as preparações e pensamentos de Hilma em conexão com suas obras, seus pensamentos exotéricos, entre outros.

A singularidade da propriedade da Fundação é que ela inclui, em princípio, todas as obras abstratas de Hilma com algumas poucas exceções, bem como todos os seus cadernos de nota e desenhos.

Os pensamentos exotérico e espiritual de Hilma existem reunidos somente aqui. Muito valioso e único.

- Como aconteceu a primeira exposição das obras de Hilma af Klint e quais foram as primeiras pessoas que reconheceram que seu trabalho tinha, de fato, valor no contexto histórico?

Olof Sundström catalogou as obras de Hilma após sua morte. Ele percebeu sua grandeza. Olof Sundström tornou-se, então, chefe da Fundação Donner em Åbo.

Ringbom fez uma pesquisa em Åbo e escreveu sobre Kandinsky. Ele encontrou Sundström que falou sobre Hilma af Klint. Quando Ringbom, através de Maurice Tuchman, tomou conhecimento da próxima exposição “The Spiritual In Art: Abrstract Painting 1890–1985” no LACMA (Los Angeles County Museum of Art) em 1986, ele fez com que, em curto prazo, treze exemplares da obra e dos cadernos de nota de Hilma fossem incluídos nesta exposição.

O primeiro livro sobre a arte de Hilma af Klint foi escrito por Åke Fant em 1989 — “Hilma af Klint: Ockult målarinna och abstrakt pionjär”. Depois disso, outros livros sobre Hilma af Klint foram publicados — o mais rico em conteúdo é o catálogo de exposições de 2013 “Hilma af Klint — abstrakt pionjär” do Museu de Arte Moderna de Estocolmo. Uma biografia de Hilma af Klint está em preparação. O livro mais recente é o romance de Anna Laestadius Larsson de 2017 intitulado “Hilma — En roman om gåtan Hilma af Klint”.

foto Jerry Hardman-Jones @Stiftelsen Hilma af Klint Serpentine Galleries London 2016

- Qual a sua opinião sobre a obra de Hilma af Klint — você a definiria como uma obra de caráter exotérico ou como um novo movimento dentro da história da arte?

Hilma af Klint começou a pintar em termos abstratos já em 1906. Isso é indiscutível. Se ela foi a pioneira, em minha opinião, é irrelevante. Ela estava, digamos, cinco anos antes de Kandinsky — e daí? Talvez os proprietários das pinturas de Kandinsky vejam suas obras menos valiosas — mas isso seria um erro. Além disso, há vários pintores e pintoras que, antes de 1906, realizaram pinturas abstratas. O professor Raphael Rosenberg menciona, por exemplo, Victor Hugo (1802–1885), Arthur Wesley Dow (1899), Matthäus Merian (1617) e Stammheimer Missal (cerca de 1170) como pessoas que pintaram obras abstratas (ver páginas 87–100 em “Hilma af Klint — The Art of Seeing the Invisble”, 2015, Ed. Kust Almqvist & Louise Belfrage).

Mas o ponto é que Hilma af Klint começou com a pintura abstrata em séries longas e por um longo período de tempo — não trabalhos individuais. Neste ponto ela é, incontestavelmente, pioneira.

- É correto afirmar, portanto, que Hilma af Klint é a pioneira da arte abstrata?

Sim, Hilma é, na minha opinião, pioneira na pintura abstrata pela sua interpretação própria de quatro formas diferentes de pintar e porque pintava em séries longas.

- Você acredita que a obra de Hilma af Klint pode ser colocada no âmbito universal que serviria e alcançaria a todos os povos independente do contexto onde ela foi criada?

Sim, eu acredito que a Obra de Hilma af Klint na atualidade alcança uma quantidade considerável de pessoas. A sua reprodução de imagem por influências astrais é de interesse para o público de hoje. Hilma af Klint tornou-se, de fato, uma fonte de inspiração para os jovens artistas e para a geração mais nova. Foi uma sorte que a própria Hilma percebeu isso e decidiu que sua “pintura para o futuro” seria mostrada primeiramente quando o futuro chegasse — isso quer dizer, no século XXI.

- Qual o objetivo da Fundação em relação à Obra de Hilma af Klint?

De acordo com o estatuto da Fundação, o Conselho deverá garantir que as obras deixadas por Hilma af Klint sejam preservadas e gerenciadas.

Para além que isso ocorra de uma maneira satisfatória, eu também desejo que Hilma af Klint e sua Obra sejam introduzidas internacionalmente e que, ao mesmo tempo, pesquisas acadêmicas em torno dela sejam iniciadas seriamente. Ambos aspectos estão em andamento atualmente, mesmo que ainda numa fase inicial.

Além disso, desejo fortalecer a Fundação com contatos profissionais e com maior cooperação dentro do mundo dos museus.

Hilma af Klint, Svanen, nr 17, grupp IX SUW,
serie SUW UW, 1915 © Stiftelsen Hilma af Klints Verk.
Photo Albin Dahlström Moderna Museet
- Em sua opinião, qual é o principal legado de Hilma af Klint?

A representação física em tela do mundo astral.

- Quais são os ecos e retornos que a Fundação tem recebido do mundo desde que começaram as exposições e a divulgação da obra de Hilma?

As condições que obtivemos para a exposição no Museu de Arte Moderna de Estocolmo em 2013 resultaram em mais de um milhão de pessoas vendo as obras de Hilma entre 2013–2015, e conseguimos construir uma base de dados de toda a Obra (incluindo as 26.000 páginas). Isto, juntamente com o interesse despertado pelos seminários multidisciplinares, significou que a pesquisa sobre Hilma af Klint e sua Obra teve início seriamente. Além disso, chegou o momento de receber Hilma af Klint e sua Obra. Estamos, de fato, sobrecarregados de forma positiva.

- Como se deu o processo de busca por interessados em ver e reconhecer a obra de Hilma af Klint?

Exposição itinerante durante dois anos, fotografia de todas as obras, seminários multidisciplinares, entre outros.

- Como você acredita que Hilma veria este momento da humanidade se estivesse viva hoje?

Ela estaria cheia de gratidão e alegria em ver que sua busca começa a se tornar realidade.

- Qual é a sua visão para o futuro desta obra e seu reconhecimento?

A Obra de Hilma af Klint está começando a obter uma aceitação a nível internacional.

A Obra de Hilma af Klint é um tesouro nacional sueco.

O Estado deveria levar este tesouro em consideração — por exemplo, para que a Obra de Hilma af Klint seja apresentada em Estocolmo em um local maior e em estreita colaboração com competências profissionais.

Hilma af Klint, Altarbild, nr 1, grupp X, Altarbilder, 1915 © Stiftelsen Hilma af Klints Verk.
Foto Moderna Museet Albin Dahlström

Entrevista com Luciana Pinheiro Ventre

- Como ocorreu o seu primeiro contato com o legado de Hilma af Klint até chegar ao seu livro sobre sua vida e obra que será lançado no próximo ano?

Conheci a obra de Hilma af Klint por acaso quando levava um grupo de artistas e terapeutas para percorrer o caminho dos impressionistas na França em 2008. Visitando a exposição Traces du Sacre no Centre Pompidou de Paris, me deparei com alguns painéis da série “As dez maiores” de quase quatro metros de altura. Estavam dispostos ao lado das lousas de Rudolf Steiner, de obras de Kupka, Mondrian, Kandinsky e Malevich. Naquela mesma época acontecia uma singela mostra de seus desenhos no Centre Culturel Suedois chamada Hilma af Klint — Une modernité rélevée. O impacto que aquelas obras tiveram em mim me acompanhou até a volta ao Brasil.

Como artista e terapeuta biográfica busquei mais informações sobre Hilma e sua obra, mas naquela época nem o Google tinha mais informações do que o que eu havia conseguido no catálogo da exposição de Paris. Ao clicar seu nome nada aparecia a não ser algumas poucas linhas numa língua sueca ininteligível para mim.

Em 2013, o Museu de Arte Moderna de Estocolmo apresentou “Hilma af Klint — a Pioneer of Abstraction”, numa grande mostra que durou quase um ano. A partir dali, alguns olhos se abriram para reconhecê-la, sua obra viajou por museus de Berlim, Veneza, Londres, Nova York, mas ainda com um olhar muito reduzido ao produto das telas. Segundo escritos da própria Hilma, as imagens eram apenas molduras para o verdadeiro conteúdo espiritual que ela desejava revelar, seria preciso um olhar mais focado em seus escritos e em sua trajetória como pesquisadora espiritual do oculto.

Daqui do Brasil eu acompanhava seus passos com admiração e curiosidade, mas ainda com pouquíssimo material disponível. Descobri conexões que me levaram, em 2015, para a Escandinávia em busca de mais elementos para minha pesquisa. Entrevistei o curador e editor de arte da Fundação Hilma af Klint, Ulf Wagner em Järna — sucessor do primeiro estudioso de sua obra em 1970 — Åke Fant. Também conheci de perto os ambientes onde ela viveu em Estocolmo e arredores e visitei sua exposição no museu Henie Onstad Kunstsenter em Oslo. Como a maioria das informações estava submetida à língua sueca ou alemã, investi em diversas traduções do sueco, de livros e artigos relevantes.

Em outubro de 2016 e junho de 2017 estive em Dornach, na Suiça, para seguir com a outra etapa da pesquisa biográfica que envolvia sua relação com Rudolf Steiner e a Sociedade Antroposófica.

A partir de uma determinada época de sua vida, em meados de 1920, Hilma passava temporadas em Dornach. Foram anos desenvolvendo uma nova forma de pintar e trabalhar com seus dons clarividentes a partir de indicações de Steiner ou de pessoas próximas a ele e de seus estudos em Antroposofia. Assistiu palestras e trocou correspondências com Rudolf Steiner até que ele veio a falecer em 1925.

Ao longo da pesquisa fui percebendo as distorções e desconhecimento que haviam na maioria dos relatos de curadores e acadêmicos que escreviam sobre seu encontro com Steiner e sua escolha pela Antroposofia. Por estudar e trabalhar a partir da Antroposofia há mais de 20 anos, pude argumentar com bases sérias sobre algumas afirmações e conclusões que só poderiam ser feitas por quem desconhece os conteúdos e os detalhes dos fatos relacionados a este tema.

Após cinco anos de pesquisa, estou concluindo o primeiro livro brasileiro sobre a vida e a obra de Hilma af Klint, envolvendo sua iniciação e sua trajetória espiritual através da arte. Acredito que o grande legado que recebemos de Hilma af Klint, é que sua obra, pode hoje ser apresentada a públicos das mais diversas culturas e idades, independente de gênero e capacidades intelectuais. Suas imagens alcançam o imaginário simbólico e transcendente, permitindo um diálogo puro e profundo com os arquétipos da alma humana. Há muito a contar e explorar sobre sua vida e sua obra e, todos que se dispuserem a contemplar e absorver este conhecimento, com certeza serão beneficiados.
De stora figurmålningarna, nr 5, Nyckeln till
hittills varande arbete, grupp III,
serie WU Rosen, 1907 @Stiftelsen Hilma
af Klints Verk Foto Moderna
Museet Albin Dahlström

- Você poderia, então, nos contar um pouco mais sobre a relação entre Hilma af Klint e o mundo espiritual?

Com seu passado cristão, Hilma af Klint era muito interessada no lado espiritual da vida. Em 1879 participava de sessões de espiritismo que estavam florescendo na época. As chamadas sessões eram muito populares, e eram onde os médiuns faziam contato com os mortos e transmitiam suas mensagens.

Em 1890, Hilma e quatro outras mulheres formaram um grupo que chamaram de The Five (As cinco), e a partir de 1896, as integrantes do grupo começam a praticar a escrita e o desenho automático durante suas sessões semanais. Hilma af Klint abandona gradualmente as imagens naturalistas em um esforço consciente de se afastar de seu estilo acadêmico. Isso foi mais de duas décadas antes que os surrealistas experimentassem a escrita automática na arte abstrata.

Depois de passar dez anos aprendendo a perceber uma realidade além do visível como médium, suas obras começam a se revelar “através” dela. Assim como fez em seu processo figurativo anterior com a natureza, assim também ela se dedicou na pesquisa sistemática e analítica do mundo espiritual. Em sua busca constante pela ciência espiritual, participava de palestras de Annie Besant, líder da Sociedade Teosófica, onde conheceu Blavatsky e Rudolf Steiner.

Quando encontrou Steiner em 1908, teve a coragem de convidá-lo para visitar seu estúdio e mostrar-lhe seu trabalho, até então guardado em segredo. Ao conhecer sua produção, Steiner não poupou palavras para dizer-lhe que seu trabalho estava além daquele tempo e da compreensão daquela época. Não foi fácil para ela digerir as críticas e considerações daquele líder espiritual que ela considerava influente e carismático e um dos únicos aos quais ela confiava que pudesse entender sua obra e ajudá-la a compreender com o que estava lidando.

Naquele tempo, Rudolf Steiner era chefe da Sociedade Teosófica na Alemanha e, pouco tempo depois, fundou a Sociedade Antroposófica. Era o começo de uma nova iniciação, e Hilma mergulhou cada vez mais com seriedade em seus estudos em busca de orientação e conhecimento. Foram quatro anos de pausa sem uma única pintura mediúnica, Hilma fechou o ateliê e dedicou-se à mãe cega voltando a aceitar encomendas de retratos para se sustentar. Durante este tempo de reflexão, parece ter digerido melhor sua missão e, quando voltou a pintar, continuou a pesquisar o micro e macrocosmos e, em cada fase, apareciam abordagens diferentes, possivelmente inspiradas pelas palestras de Rudolf Steiner que estudava intensamente. Ela atravessou momentos de dúvida e grandes questionamentos e, durante muitos anos registrou sua luta entre a obediência direta dos guias espirituais, e a evolução e amadurecimento de sua pintura a partir de uma elaboração consciente que emergia de sua alma.

- De que maneira você acredita que o fato de Hilma af Klint ser mulher tenha influenciado na recepção de sua obra na época?

Todas as tentativas de Hilma de mostrar suas obras a grupos seletos e específicos foram recusadas na época. Antes de analisar as reações extremamente positivas do público de hoje ao trabalho de Hilma af Klint e a curiosidade sobre sua arte que a exposição despertou, devemos olhar mais de perto para entender melhor as condições em que ela produziu sua obra, a começar pela condição de gênero, como mulher na sociedade sueca do século XIX. Ela pertencia a uma família que teve recursos para introduzi-la na Academia Real de Artes da Suécia, privilégio de poucas mulheres de sua geração.

Entretanto, artistas femininas — mesmo que fossem talentosas e tivessem a mesma educação que seus colegas do sexo masculino — não eram convidadas para as redes masculinas existentes. As mulheres pertenciam à esfera doméstica, como mães e esposas. A atividade artística para uma mulher não era vista como carreira, mas sim como um passatempo antes de se casar, não era algo a ser levado a sério.

Hilma não se casou, não seguiu o roteiro esperado para sua época, e quando se formou como artista, já trabalhava profissionalmente vendendo e exibindo suas paisagens e retratos de estilo naturalista com direito a descrição de sua profissão na lista telefônica ao lado do seu nome.

A mudança decisiva em seu trabalho aconteceu em meados de 1890, quando começou a representar o invisível. Pode parecer uma ruptura completa com seu estilo naturalista anterior, no entanto, o que de fato aconteceu foi uma evolução da artista e da pesquisadora destemida que estava disposta a embarcar de corpo e alma, em uma experiência completamente nova em todos os sentidos.

Suas pinturas surpreendem através da linguagem pictórica radical, escolha de cor e composição. Além disso, sua abordagem sistemática e sua pesquisa visual são impressionantes. Mas levou 42 anos até que o professor de artes Åke Fant, da escola Waldorf de Järna, despertasse interesse e abrisse os baús guardados nos porões da Sociedade Antroposófica, nos arredores de Estocolmo.

Em seu acervo havia 1.200 pinturas, 100 textos e 26.000 páginas de registros e esboços detalhados em mais de 50 cadernos, guardados de forma metódica e enumerados no mesmo padrão de uma pesquisa científica séria.

Mesmo assim, foi somente 17 anos depois que uma pequena parte de sua enorme produção foi exibida em público pela primeira vez na lendária exposição The Spiritual in Art, organizada por Maurice Tuchman no Museu de Arte de Los Angeles, nos EUA, em 1986.

O trabalho da desconhecida artista sueca causou sensação e interesse mas, na época, a falta de informação sobre ela era uma questão relevante para quem não dominava a língua sueca e não vivia na Escandinávia.

Installation view Hilma af Klint A Pioneer of Abstraction, 2013 Foto Åsa Lundén Moderna Museet

Em maio de 2013, organizada pelo Museu de Arte Moderna de Estocolmo, a exposição Pioneer of Abstraction reuniu pela primeira vez trabalhos de todas as fases da carreira da artista, desde a década de 1890 até a década de 1930, lançando nova luz sobre sua obra radical e complexa. Muitas das obras desta exposição nunca foram mostradas publicamente antes — de fato, nem mesmo foram descompactadas desde a morte da artista.

- Como você situa a arte de Hilma af Klint na sociedade atual?

Se uma árvore cai no meio da floresta e não há ninguém por perto para ouvir, teria realmente a árvore caído? Diferentes linhas do pensamento humano, da filosofia à comédia, já abordaram esta questão, gerando muito mais debates e conversas interessantes do que conclusões definitivas. Hilma af Klint é uma destas árvores extraordinárias, cujo eco ouvimos agora, mais de 70 anos após sua morte. A vida e obra de Hilma af Klint são permeadas por todos os temas mais candentes da sociedade atual: novas relações com o espiritual, ruptura de padrões estéticos e a produção feminina na arte mundial.

A história da arte, como em outras situações históricas culturais, foi sempre construída e reconhecida após os fatos, e o objetivo dos artistas nunca foi ilustrar a história da arte, mas desafiá-la ou enfrentá-la. Hilma af Klint, entre outros desafios, revelou que precisamos ampliar nossas perspectivas, ter uma visão mais inclusiva de como a criatividade funciona e de onde as imagens podem vir. Devemos nos proteger de fontes desconhecidas de inspiração ou abraçar uma perspectiva mais ampla de criação?

A partir de 2013 na exposição “Hilma af Klint: A Pioneer of Abstraction” em Estocolmo, sua obra começa de fato a ser revelada em uma exposição de grande abrangência. O público que passou por ali ficou emocionado, surpreso e fascinado. Tudo era enigmático, desde a época em que foram pintadas, ao tamanho das telas, as cores ousadas, as imagens abstratas e até a ausência de assinatura — pois Hilma raramente assinava sua obra. Os espectadores ficaram surpreendidos com suas próprias reações físicas e impressões que iam além da mente racional.

- Quem é Hilma af Klint aos olhos de Luciana Ventre?

Ela era uma artista pioneira, que estava à frente de sua época e que teve a coragem de se abrir para uma compreensão mais ampla do mundo e da consciência humana. Hilma af Klint acreditava no poder da imagem simbólica, acreditava no mistério da vida, na dança harmônica das polaridades e na transcendência da matéria pelo espírito. Há cem anos, ela pintou para o futuro. Pois o futuro chegou, é agora. E agora nós somos convidados a ampliar nossas perspectivas.


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Cerque-se de Pessoas que se Devotam à Vida Mais Elevada


"Mantenha-se cercado sempre por pessoas que se devotaram à vida mais elevada - aquelas que o encorajarão a avançar no caminho para a Meta. Por esse meio, você pode atingir chithasudhi (pureza da mente); tanto que possa refletir-se nela a Verdade. Sathsanga (associação com santos e sábios) conduz gradualmente à retração das atividades escravizantes. Quando um pedaço de carvão frio é colocado no meio de cinzas quentes e quando o fogo é atiçado, o pedaço de carvão também se aquece. Jnana-agni, isto é, o 'fogo da sabedoria' age de forma semelhante.

Cada um é um sadhu (um santo) por que é Prema-swarupa (encarnação do Amor), Santhiswarupa (encarnação da Paz) e Amritha-swarupa (encarnação da imortalidade). No entanto, permitir que a crosta do ego se engrosse e se consolide, vale por embaciar a verdadeira natureza. Pela ação do sathsanga, isto é, pela companhia de pessoas de mente divina, pela sistemática atenção ao autocontrole e ao automelhoramento, o homem pode vencer a ilusão que o faz se identificar com o corpo e suas necessidades e apetites.

Sathsanga faz você encontrar-se com outras almas (indivíduos) de natureza sintônica, e cria o contato que se manifesta o Fogo Interior. Sathsanga significa o Sath, o Sath de que se fala quando se refere a Deus como Sath-Chith-Ananda¹. Sath é o princípio da Existência; e é a verdade básica do Universo. Alinhe com a Verdade, isto é, com o Ser (Sath) em você, com a Verdade (Sathya) sobre a qual mithya² é imposto pelas mentes que não veem a luz. Persistindo em Sath, a chama é acesa, a Luz se faz, então as sombras emigram e o Sol da Realização nasce (jnana bhaskara)."

¹ Sath-Chit-Ananda - o Ser é Verdade, Consciência e Bem-aventurança.
² Mithya - aquilo que está entre ser real e irreal, entre ser verdade e inverdade. 

Sathya Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interior 
- Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 58/59


quinta-feira, 17 de maio de 2018

Bicho Sai Dos Lixos - Uma ONG Que é O Bicho!


Estimado leitor.

Estamos abrindo um espaço excepcional para a  Bicho Sai Dos Lixos , uma ONG que tem feito um trabalho muito bacana em ajudar animaizinhos abandonados por pessoas/donos irresponsáveis e sem coração, animais de rua e com problemas de saúde, tratando-os sempre com muito carinho e encontrando lares verdadeiramente amorosos e responsáveis para eles.

Esta ONG, infelizmente, está passando por momentos muito delicados e difíceis e pediu nossa ajuda, pois o estado em que se encontra é realmente calamitoso. Eles estão com seus estoques zerados e precisando muito da ajuda de pessoas e/ou empresas que possam doar sacos de ração para gatos e cachorros.

Também pedem o socorro de  veterinários  que possam estender a mão amiga e, caridosamente,  realizar castrações e vacinações, de forma a sempre manter os animaizinhos saudáveis, facilitar as adoções e evitar a proliferação descontrolada de animais.

Esta ONG é em Magé/RJ. Segue o contato da responsável (Telefone e WhatsApp):

 Mariângela Santiago 
 (21) 96757-0880 


E quem puder e quiser ajudar financeiramente uma ONG séria, dedicada e que faz um trabalho bem bacana, qualquer quantia é sempre bem-vinda. Para isso, seguem os dados bancários:

CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Agência: 0995 Operação: 013 
Conta Poupança: 1440437-3 
Mariângela Santiago

 A BICHARADA AGRADECE SUA AJUDA! 


segunda-feira, 14 de maio de 2018

A Espiritualidade no Filme K-Pax

Vídeo bacana do Saulo Calderon, do site viagemastral.com. Quem não viu o filme, depois de ver este vídeo, vai sair correndo para assistir. Muito bacana o trabalho feito pelo pessoal. Parabéns.